Os Piolhos Estão Ficando Raros Com Tanto Alisamento Progressivo nos Salões
Semana passada, fui vender peças de boa qualidade, mas de pouco uso que eu tinha em casa, para alguns brechós. Dentre estas roupas estava um chapéu de feltro. Então numa loja de roupas usadas, perto da Praça Rui Barbosa, perguntei à dona:
- A senhora compraria, ou, trocaria este chapéu?
A moça respondeu:
- Não comercializo chapéus e nem bonés usados aqui. Pois podem ter piolhos.
Logo comentei:
- Porém, no meu caso, é impossível ter piolhos. Se bem que neste chapéu, podem existir outras criaturas: abelha, bicho-da-seda, borboleta, e, se duvidar sai até o coelho que era da cartola do mágico.
A mulher perguntou:
- Como assim?
Deste jeito expliquei:
- Eu já fiz tanto alisamento progressivo, que piolho nenhum teria coragem de enfrentar. Por exemplos: uma vez a cabeleireira passou escova inteligente de mel nos meus cabelos e, por isto, atraí abelhas por todos os lugares onde passei. Desta forma minha autoestima aumentou, pois me senti a verdadeira flor do paraíso. Num outro dia, a profissional de beleza colocou alisamento de seda nos meus cabelos, e na mesma noite, sonhei com milhares de bichos-da-seda nas minhas madeixas. Já, numa outra vez, fiz escova progressiva de flores nos cabelos e senti que as borboletas me seguiam, da mesma forma que faziam com a atriz do comercial do desodorante Impulse. Portanto, não tem como existir piolhos no meu chapéu.
Desta forma, a senhora da loja de roupas usadas deu risadas e, mesmo assim, não comprou e nem trocou a peça. Em compensação num outro brechó, da Rua Treze de Maio, a dona fez questão de comprar o meu chapéu. Afinal, ela também entendia de diversos tipos de escova progressiva.
Luciana do Rocio Mallon
 
 
 

Flip, Fliperama e Flipper
Amiga: - Tia Lu, o que você acha do Flip?
Eu:       - Quando eu era criança costumava ser raro sobrar uma moeda. Mas quando sobrava, eu trocava os poucos centavos por fichas de fliperama, já que vídeo game era algo só para ricos, naquela época. Então, sobrava às crianças, da minha classe social, se divertir no fliperama da mercearia da esquina.
Amiga:  - Não estou me referindo ao fliperama.
Eu      :  - Já sei:                   
             - Você está falando do Fliper, o famoso golfinho do seriado dos anos setenta.
Amiga  : - Na verdade estou falando do Festival de Literatura de Paraty.
Eu        : - Poxa, eu nem lembrava que este evento existia. Pois sou escritora e costumo participar dos saraus da minha cidade, Curitiba. Nesta semana fui a uma escola, onde fiz repentes, falei do meu livro chamado Lendas Curitibanas e lá os alunos me fizeram várias perguntas sobre minha obra, por isto fiquei satisfeita. Sem falar, que no final de semana, participei de outro evento, em minha cidade, onde fiz uma "performance" com lendas, repentes e danças. Assim as pessoas ficaram encantadas. Sinceramente, vejo que sou uma escritora que não precisa do Flip, que anda mais distante da minha realidade, do que o Fliperama e o Fliper, eternos ícones dos anos setenta.
Luciana do Rocio Mallon
 

Lembrete diário para praticar Inglês

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