Art&MusicaLSlides® "CONSOLADOR"

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Quando o Consolador chegar
29/9/2010 - 13:18:51

"O Filho do Homem, por isso mesmo, não é um remendão irresponsável."

Jesus

— Você aqui veio para perguntar-me por que estou chorando! Eu choro, Simão Pedro, porque não vim remendar ninguém — disse Jesus.

— Como remendar, Senhor? — pergunta Simão Pedro, sem entender o Mestre. O Senhor curou a muitos hoje. E todos estão felizes com as curas. Cegos, cochos, paralíticos, leprosos etc. A quantos deste novas esperanças, novas vidas, novas lutas diárias, pois que estavam impedidos de ter uma vida normal. Por que dizes que não te compreendemos, Rabi? Estamos felizes, eu e os demais discípulos.

— Simão, neste momento, enquanto consideras o Reino de DEUS pelo que viste, Natanael Bem Elias, o que estava imobilizado num grabato (leito pequeno e pobre, catre) por muitos anos, exulta entre bilhas de vinho capitoso (que embriaga), amigos truculentos e mulheres infelizes. É essa a cura que lhe dei?

— Mas, Mestre, essa é a alegria da Terra, da vida dia a dia, do comer, beber, trabalhar pouco e gozar muito. Hoje te expuseste aos fariseus astutos e solertes (velhacos), aos escribas ambiciosos e falsos que vieram te espreitar. E à vista de todos e diante da malta (bando, grupo) de traidores, perdoaste pecados e curaste, silenciando-os com sabedoria e elevação! E agora... choras, Senhor?!

— Sim! Pois que não me compreendeis, tu e eles. Não vim remendar sobre tecidos velhos e gastos. Não vim costurar pedaços novos, pois danificaria mais aparte rasgada. Da mesma forma, seria um desastre colocar vinho novo em vasilhas velhas e imundas. Haveria fermentação e os odres (sacos de pele para líquidos) arrebentariam. A imagem do Reino, mais que uma promessa para o futuro, é a realidade para o presente. Penetra o íntimo e dignifica, desvelando os painéis da vida em vários sentidos.

JESUS, percebendo que seu nobre discípulo não acompanhava a dissertação, fez uma parada e fitou-o profundamente. A pausa foi boa para despertar Simão do transe que as magnéticas palavras lhe conferia. E continuou:

— Os séculos hão de correr ágeis através da ampulheta dos tempos. Os métodos eficazes para curar e disciplinar são severos. E, por isso mesmo, indesejados. No entanto, EU ficarei indefinidamente ao lado da Humanidade, ajudando sem cansaço e elaborando lentamente a Era da Paz e da Alegria no coração dos seres humanos. Ele removerá velhos óbices (obstáculos, impedimentos) e promoverá a reestruturação social à base do AMOR. Será ele que invadirá todos os departamentos da vida e inaugurará sentimentos de Solidariedade em todos os indivíduos.

— Entenda, meu caro amigo, que não se coloca conhecimento novo num ser humano materializado!

— Rabi, eu sou um cabeça dura. Ainda não entendo as coisas do Céu!

— EU sei que não me podeis entender, tu e eles por enquanto. E assim será por algum tempo. Mais tarde, quando a DOR produzir amadurecimento maior nos Espíritos, EU enviarei ALGUÉM EM MEU NOME, para dar prosseguimento ao serviço de iluminação de consciências. As sepulturas quebrarão o silêncio em que se guardam e VOZES clamarão em toda parte, lecionando esperanças sob os auspícios de mil consolações!

O Mestre silenciou por um momento.

Os olhos do velho pescador, faiscantes, expressaram as emoções que lhe cantavam no âmago do ser. O ar leve perpassava entre as folhas do arvoredo, enquanto a preamar (maré alta) predizia uma grande parada na pulsação da Natureza.

— E quando o CONSOLADOR chegar — interrogou o emocionado discípulo — os homens o receberão compreensivamente?

— Não, Simão! — respondeu JESUS — Não a princípio...

Amélia Rodrigues: "Primícias do Reino"

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