Art&MusicaLSlides® LSlides - "Relendo textos do Novo Testamento" - Mateus 10, 9 - 15

 

Relendo textos do Novo Testamento

"Evangelho segundo Mateus"

Capítulo X

 

Mateus 10, 9-15 diz:

 

"Não levem guardados no cinto nem ouro, nem prata, nem moedas de cobre. Nesta viagem não levem sacola, nem uma túnica a mais, nem sandálias, nem bengala para se apoiarem, pois o trabalhador tem o direito de receber o que precisa para viver [De quem? De Deus!]. Quando entrarem numa cidade ou povoado, procurem alguém que queira recebê-los e fiquem hospedados na casa dessa pessoa até irem embora daquele lugar. Quando entrarem numa casa, digam: "Que a paz esteja nesta casa!" Se as pessoas daquela casa receberem vocês bem, que a saudação de paz fique com elas. Mas, se não os receberem bem, retirem a saudação. E, se em alguma casa ou cidade as pessoas não quiserem recebê-los, nem ouvi-los, saiam daquele lugar. E na saída sacudam o pó das suas sandálias, como sinal de protesto contra aquela gente. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: No Dia do Juízo, Deus terá mais pena das cidades de Sodoma e de Gomorra do que daquela cidade [Lei Divina]."

 

No aspecto material, esta passagem do Evangelho de Jesus se conecta com a lei de hospitalidade, muito comum entre os orientais, especialmente entre os judeus, conforme encontramos em Levítico, no Antigo Testamento.

 

Kardec nos fala de um "ensino moral profundo" que ele encontra na passagem bíblica citada, aliás, o interesse de todo o verdadeiro espírita diante dos textos sagrados de qualquer religião será sempre esse: buscar aquilo que é comum e essencial, o "ensino moral profundo" que há no cristianismo, no budismo, na umbanda, etc. O que é essencial nessa passagem do evangelista Mateus?

 

1) Os discípulos de Jesus devem confiar sempre na Providência Divina, mais do que nas coisas materiais. É por isso que não deveriam levar muitas coisas com eles durante suas peregrinações, pregando a Boa Nova do Reino de Deus. É essa a confiança exigida quando Jesus ensina: "Buscai o Reino de Deus [e os seus assuntos] e tudo o mais vos será dado de acréscimo", porque se nós que somos pais duros procuramos dar o melhor para os nossos filhos, o que diríamos de Deus, o paizinho (Abba) conforme Jesus O chamava.

 

2) Nada tendo, não despertará a cobiça dos outros. Se aqueles cristãos peregrinos tivessem uma vida simples, não só eles estariam dando o exemplo de conduta, mas, não iriam despertar a cobiça dos ladrões e egoístas, porque nada tinham de material, por isso, podiam andar sem medo, sem seguranças particulares.

 

3) Os discípulos pobres de Jesus testariam a caridade ou o egoísmo das famílias que visitassem. Se a família fosse realmente caridosa e respeitasse a Lei de Santidade (Torá/Levítico) receberia como um compatriota aqueles cristãos pobres e peregrinos, mas, se não os recebessem bem, é porque formavam uma família egoísta e que desrespeitava os mandamentos sagrados das leis de Moisés.

 

Diante dos resistentes, daqueles que não desejam ser hospitaleiros e nem queriam ouvir a Boa Nova do Reino, Jesus recomendava que os deixassem em paz, como eles queriam, porque caberia a Lei Divina, soberana e imparcial, julgar cada caso, cada família.

 

Os discípulos do Cristo, assim como os espíritas de hoje, deveriam procurar outras famílias e pessoas de boa-vontade, que realmente tem interesse em conhecer as leis divinas, a origem das coisas e o futuro de todos nós.

 

O Espiritismo segue hoje os mesmos princípios que Jesus recomendou aos seus discípulos, conforme a narração de Mateus. O Espiritismo "kardecista" (conforme o senso comum nos conhece):

 

1) Não violenta nenhuma consciência, impondo seus princípios.

 

2) Não pede a ninguém que abandone suas crenças ou religiões.

 

3) Não calunia aqueles que pensam de modo diferente, respeitando todos os pontos-de-vista e visões de mundo, mesmo quando discorda de alguma delas.

 

4) Acolhe aqueles que se achegam buscando explicações e consolo e deixa livre aqueles que não gostam ou rejeitam-no, sem chateá-los com pregações inoportunas, até porque, para o Espiritismo, a maior e melhor pregação se dá através do bom exemplo e da nobre conduta dos seus adeptos.

 

*Neste enunciado se encontra de forma substantiva a demonstração da aplicação do importante desafio a que estamos todos expostos, qual seja o da prática da indulgência para com aqueles que se mostram avessos – especialmente em face da pratica cotidiana demonstrada em seu comportamento – frente aos ensinos contidos nos livros da "codificação" de Allan Kardec, e em absoluta conformidade com as recomendações de Jesus, assim como textualmente expressas no "Evangelho de Mateus".

 

É por isso que Allan Kardec e os Espíritos Superiores que organizaram todo o trabalho da codificação do Espiritismo que se iniciou em 1857, com "O Livro dos Espíritos", em plena Paris iluminista, entenderam que a moral do Cristo ou a essência do Evangelho (o seu aspecto esotérico, profundo) estaria e está em perfeita comunhão com aquilo que revela e estuda a doutrina dos Espíritos.

 

Este artigo publicado em "O MENSAGEIRO" está baseado em "O Evangelho segundo o Espiritismo" [25, 9-11] de Allan Kardec.

*Nota: Lourenço Nisticò Sanches.

 

 

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