Art&MusicaLSlides® "Razão Espiritual das Desigualdades Humanas"

 

RAZÃO ESPIRITUAL DAS DESIGUALDADES HUMANAS

C O N S C I Ê N C I A   E S P Í R I T A   2 0 0 5
Cent. Est. Esp. Paulo Apóstolo de Mirassol - SP - Brasil

 

Os espíritos foram criados todos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte, realizou mais ou menos aquisições. A diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio

 

"A tumba é lugar de encontro de todos os homens, nela se findam impiedosamente todas as distinções humanas. É em vão que o rico tenta perpetuar a sua memória por meio de faustosos monumentos. O tempo os destruirá, como aos seus próprios corpos. Assim o quer a Natureza. A lembrança das suas boas e más ações será menos perecível do que seu túmulo. A pompa dos funerais não o lavará de suas torpezas e não o fará subir sequer um degrau na hierarquia espiritual."

Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos

 

É comum a maioria das pessoas interpretarem as grandes desigualdades morais e sociais da humanidade como uma enorme ironia do destino e do acaso. No entanto, nossa visão se aclara, quando estudamos os ensinamentos contidos na Doutrina Espírita.

 

"Todos os homens são iguais perante Deus e Suas leis. Todos tendem para o mesmo fim e o Criador fez as Suas leis iguais para todos". Assim enfatizam os espíritos superiores.

 

A evolução é uma linha ascendente que resulta do livre-arbítrio do espírito e se processa através da solidariedade dos mundos.

Para entendermos as desigualdades de aptidões entre os homens é necessário compreendermos o conceito de evolução, ou seja, os diferentes níveis de maturidade espiritual entre os seres. A evolução é uma linha ascendente que resulta do livre arbítrio do espírito em jornada e se processa, multidimensionalmente, através da solidariedade dos mundos, o que ressalta a importância do tempo e do esforço de cada um.

 

Lemos em "O Livro dos Espíritos" que "os espíritos foram criados todos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo, e por conseguinte realizou mais ou menos aquisições. A diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio: daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas".

Para a nossa limitada capacidade de interpretar as grandes questões cósmicas, vemos nas desigualdades de aptidões motivo de revoltas, lutas e todo tipo de sofrimentos e frustrações. Mas com a ótica espírita, a realidade é bem outra, de acordo com o que ensinam os espíritos a Kardec: "A mistura de aptidões é necessária a fim de que cada um possa contribuir para os desígnios da Providência, nos limites do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais. O que um não faz, o outro faz, e é assim que cada um tem a sua função útil. Além disso, todos os mundos sendo solidários entre si, é necessário que os habitantes dos mundos superiores, na sua maioria criados antes do vosso, venham habitar aqui para vos dar exemplo".

 

A caridade é o laço que une os diferentes graus de desenvolvimento

 

Allan Kardec, por sua vez, após meditar sobre essas importantes verdades, concluiu: "Deus não criou a desigualdade das faculdades do homem, mas permitiu que os diferentes graus de desenvolvimento se mantivessem em contato a fim de que os mais adiantados pudessem ajudar os mais atrasados a progredir. E também a fim de que os homens, necessitando uns dos outros, compreendam a lei de caridade que os deve unir."

 

Temos assim, mais um importante conceito espírita, o da excelência da caridade.

 

Mas, e as desigualdades sociais e das riquezas?

 

Essas desigualdades não são decorrentes da lei natural. São obras dos homens e não de Deus. "Essas desigualdades desaparecerão juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando tão somente a desigualdade do mérito. Chegará um dia em que os membros da grande família dos filhos de Deus não mais se olharão como de sangue mais ou menos puro, pois somente o Espírito é mais puro ou menos puro, e isso não depende da posição social."

 

Kardec, questionando os espíritos sobre homens que abusam da superioridade de sua posição social para oprimir o fraco em seu proveito, obtém a seguinte resposta: "Infelizes deles!", lamentam os espíritos superiores, "serão oprimidos por sua vez e renascerão numa existência em que sofrerão tudo o que fizeram sofrer." Aí, na lei, está a "Pena de Talião".

 

Provas da riqueza e da miséria

 

De acordo, ainda, com o ensinamento dos espíritos superiores, Deus concedeu a uns a riqueza e o poder e, a outros, a miséria, "para provar a cada um de maneira diferente". Esclarecem também que "essas provas são escolhidas pelos próprios espíritos, que muitas vezes sucumbem ao realizá-las".

 

Informam que tanto as provas da desgraça quanto as da riqueza são perigosas para o homem. "A miséria provoca a lamentação contra a Providência, a riqueza leva a todos os excessos".

 

Interessante colocação dos espíritos é a de que a igualdade absoluta das riquezas não é possível na Terra, pois a diversidade das faculdades e dos caracteres se opõe a isso. O que contraria alguns regimes sócio-político-econômicos, normalmente implantados à força e a preço de violência e sangue. Ao que alertam os espíritos: "Combatei o egoísmo, pois essa é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras".

 

Pode a sociedade ser responsabilizada pelas pessoas que caem nas privações e na miséria?

 

De acordo com os espíritos superiores, sim. "A sociedade é sempre a causa primeira dessas faltas, pois não lhe cabe velar pela educação moral de seus membros? É freqüentemente a má educação que falseia o critério dessas pessoas, em lugar de aniquilar-lhes as tendências perniciosas".

 

Educação transformadora

 

Mas qual seria a educação ideal, capaz de nortear com segurança o critério do ser humano? Pensando nisso, Kardec, educador por excelência, discípulo predileto de Pestalozzi, afirmou em O Livro dos Espíritos: "Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo-se seja possível, sofrerá sempre intermitências e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar caracteres, aquela que cria os hábitos, porque educação é conjunto de hábitos adquiridos. Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançados na corrente da população, sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das conseqüências desastrosas desse fato? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem seguirá no mundo os hábitos de ordem e previdência para si mesmo e os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar de maneira menos penosa os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que somente uma educação bem compreendida pode curar. Nisso está o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos".

 

Bibliografia: "O Livro dos Espíritos", Allan Kardec - Tradução: J. Herculano Pires - Edição: EME Editora

24 de outubro de 2011

 


 

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