Art&MusicaLSlides® "Significado da palavra 'elite' e a quem cabe designar"

Significado da palavra "elite" e a quem cabe designar

 

*Lourenço Nisticò Sanches

 

Há algumas poucas semanas fui motivado por uma amiga – sem que ela o soubesse – a me deter a respeito do tema que intitula este singelo escrito. Ao ler este texto, desde logo, transmito-lhe meus agradecimentos.

O termo fora colocado naturalmente em mensagem que ela me endereçou e, confesso, trouxe-me certo desconforto. Resolvi então me aprofundar mais e pesquisar de forma mais consistente o que eu já suspeitava estivesse ocorrendo.

Constatei que o desvirtuamento que foi conferido à palavra elite é imenso e, no meu entender, propositalmente "construído" para que se transformasse em um adjetivo que enseja pecha a quem o recebe... Senão vejamos:

No dicionário Aurélio, encontramos a seguinte definição:

"Elite: O que há de melhor numa sociedade ou num grupo social. Escol".

No dicionário Priberam:

"O que há de melhor e se valoriza mais numa sociedade";

No dicionário online português:

"O que há de melhor numa sociedade; o escol, a flor, a nata.

Interessante, até o momento não observei nenhuma novidade, aliás, acredito que as pessoas minimamente cultas devem obrigatoriamente concordar com essas definições, mas..., quando o enfoque transborda do trivial para questões de ordem político-ideológicas, é aí que nos deparamos com o aviltamento.

Acessando o site da Wikipédia e verificando as transformações que o sentido sociológico imprimiu na palavra elite então passamos a entender a malevolência de certos indivíduos quando a utilizam com propósitos de domínio, quer pela força, quer – mais modernamente, como argumento político-eleitoreiro desprovido de qualquer solidez.

Leia-se a seguir a cópia digitalizada autêntica do texto encontrado:

Wikipédia (Sociologia)

"Segundo Thomas Bottomore, a palavra elite (do francês élite, substantivação do antigo particípio passado eslit, de élire 'escolher, eleger', este do latim vulgar exlegere, do latim clássico eligere, 'escolher') era usada durante o século XVIII para nomear produtos de qualidade excepcional. Posteriormente, o seu emprego foi expandido para abarcar grupos sociais superiores, tais como as unidades militares de primeira linha ou os elementos mais altos da nobreza. Assim, de modo geral, o termo 'elite' designa um grupo dominante na sociedade ou um grupo localizado em uma camada hierárquica superior, em uma dada estratificação social.

A teoria das elites foi plasmada no pensamento de Gaetano Mosca, com sua doutrina da classe política; Vilfredo Pareto, com sua teoria da circulação das elites, na qual utiliza o termo 'elite' como uma alternativa ao conceito de classe dominante de Karl Marx; Robert Michels, com sua concepção da lei de ferro da oligarquia.

Charles Wright Mills utiliza o termo para referir-se a um grupo situado em uma posição hierárquica superior, numa dada organização, dotado de poder de decisão política e econômica. Robert Dahl descreve a elite como o grupo minoritário que exerce dominação política sobre a maioria, dentro de um sistema de poder democrático.

Elite pode ser uma referência genérica a grupos posicionados em locais hierárquicos de diferentes instituições públicas, partidos ou organizações de classe, ou seja, pode ser entendido simplesmente como aqueles que têm capacidade de tomar decisões políticas ou econômicas.

Pode ainda designar aquelas pessoas ou grupos capazes de formar e difundir opiniões que servem como referência para os demais membros da sociedade. Neste caso, elite seria um sinônimo tanto para 'liderança' quanto para 'formadores de opinião'.

Outra forma de identificar uma elite é aproximando-a da categoria 'classe dirigente', ou seja, um intelectual orgânico, tal como definido por Gramsci. Neste caso, a idéia de formação da opinião pública é substituída pela idéia de construção ideológica, entendida como a direção política em um dado momento histórico. Sob este aspecto, a elite cumpriria também o papel de dirigente cultural."

Ora, quem sabe bem absorver o que está lendo percebe de pronto os "dedos" de que personagens estão impressos nesse desvirtuamento!

Diferentemente do significado real, grupos de indivíduos passaram a utilizá-la para cativar a "massa popular" e apresentar a ela um inimigo comum, e único, responsável por suas mazelas: a elite !

Ao nos inteirarmos dos métodos recomendados para a conquista e o domínio do povo, encontramos Joseph Goebbels – ex-ministro de propaganda de Hitler, como aluno aplicado das recomendações constantes da obra intitulada "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel.

Certamente é com essa "retórica" que indivíduos inescrupulosos (para se dizer o mínimo) e amorais se aproveitam para despejar sua cantilena aos povos de países cuja população ainda claudica no conhecimento e na cultura.

O que me causa estranheza, senão espanto – sem dúvida, é o fato de que pessoas ditas letradas, e que possuem um "canudo" embaixo do braço (mesmo que seja um "canudinho"), deixam-se aparvalhar como se fossem mamulengos e de forma papagaial repetem:

É tudo culpa da elite!

É extremamente bisonho, e até dá vontade de chorar!

Recordo-me que alguns meses passados desenvolvi um escrito, lastreado em pesquisa, quando desmascarei "Che Guevara", mitificado pelos "marketeiros" do Kremlin da antiga União Soviética, com a frase "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura..., jamás" ! Pois sim, indivíduo sanguinário, assassino e malcheiroso que os comunistas dele serviram-se para iludir e tentar "vender" sua falida ideologia mórica.

Por fim cabe enfatizar que para mim se configuram indivíduos "de elite" todos aqueles que, com seu denodado esforço, conseguiram sair do lugar comum, que se destacaram em suas atividades, que nortearam suas vidas com moral ilibada e honradez, independentemente do nível de cultura conquistado, visto que estamos nos referindo a valores que ultrapassam em muito os sabichões que buscam tão somente tirar proveito de sua "fala fácil" e descompromissada, mas que lamentavelmente empolgam temporariamente as multidões que lhes dão ouvidos, assim como ocorre atualmente no Brasil em relação ao expoente maior do "alcunhado" partido dos trabalhadores.

Trabalhadores somos todos nós que ganhamos honradamente o sustento e não os chicaneiros e bravateiros que se aproveitam de alguma característica que os distingue para ludibriar toda uma nação, inclusive àqueles que possuem algum conhecimento, mas que por absoluta preguiça mental e falta de raciocínio, engrossam a turba dizendo, quero mais, mais engodo, mais bravata, mais mentira, mais corrupção..., e disso não se dão conta, mas quando vierem a se perceber constatarão o enorme equívoco cometido.

Certamente essas pessoas que se deixam enganar tão facilmente não podem jamais se constituír em pessoas de elite, de escol, aquelas que conseguem usar a razão e, com a cultura adquirida colocá-la em benefício de si e da sociedade buscando dar sua efetiva contribuição para elevar o nível de nosso já tão explorado povo!

Mamulengos não podem ser pessoas de elite, pois pertencem à vala comum, aquela que sempre foi explorada pelos aproveitadores - ou que se deixaram explorar - muitos dos quais eram em sua época donos do capital, e atualmente são identificados pelos bravateiros que normalmente se encontram de copo na mão fumando charutos cubanos.

Que pena!

 

17 de dezembro de 2011.

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