Art&MusicaLSlides® "MORREM TODOS OS SERES TERRENAIS, MAS JAMAIS MORREM"

MORREM TODOS OS SERES TERRENAIS, MAS JAMAIS MORREM

OS CELESTIAIS

José Reis Chaves

         A lei de causa e efeito é universal, pois está presente em todas as escrituras sagradas e, de modo especial, na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento. Mas jamais devemos imaginar que Deus castiga e que sacrifícios Lhe são agradáveis, como se pensava no passado.

         O apóstolo dos gentios, por influência da sua religião anterior, o Judaísmo antigo, levou para o cristianismo essa ideia errada de que Deus se deleita com sacrifícios de sangue derramado. É essa a tônica do sentido de Hebreus 9: 27. E aqui faço uma ressalva. Hoje, grande parte dos biblistas atribui a um discípulo de Paulo a autoria da Carta aos Hebreus. Mas sendo ela de um discípulo de Paulo, sua teologia é paulina. E o certo é que a sua teologia do sangue engrandece o sacrifício da morte de Jesus na cruz, afirmando que tal sacrifício, exatamente porque é de Jesus, foi o bastante para "indenizar" Deus, pelo suposto mal que Ele teria sofrido, por causa dos pecados da Humanidade. Mas ainda naquela época, Jesus, superior que é a Paulo em sabedoria, já dizia que não queria sacrifícios, mas sim, misericórdia. (Mateus 9: 13).

          Vou citar o texto paulino de Hebreus 9: 27 e o versículo seguinte, o 28, que o complementa: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação."

             Como se vê, o texto nada tem a ver com as vidas sucessivas. Nem deve ter passado pela cabeça do autor de Hebreus a ideia da reencarnação, nem contra ela nem a favor dela. A tônica do texto é única e exclusivamente de valorização do sacrifício de Jesus na cruz, o qual dispensa outros sacrifícios, como eram feitos no Judaísmo antigo. Sou fâ de Paulo, mas não concordo com a sua tese de que Deus aprecia sacrifícios de sangue, e que os nossos pecados tenham sido anulados com as cusparadas no rosto de Jesus, com as chibatadas dadas nele e com a sua morte na cruz. E Deus precisaria disso para deixar abertas para nós as portas dos céus? Se Jesus nos ensinou que temos que ser bons e perdoar sempre, por que Deus, para perdoar a humanidade, exigiria um ato bárbaro desse contra um Filho seu inocente? Seria Jesus superior a Deus?  E um pecado mortal seria capaz de anular os pecados da humanidade toda, e quando Jesus disse que nós mesmos é que temos que pagar tudo até o último centavo?

      E atentemos para o fato de que o autor de Hebreus não diz que o homem vive uma vez só, mas morre uma vez só, exatamente porque um cadáver não morre outra vez, pois já morreu bem morrido e em definitivo. E o cadáver morreu, porque ele foi um ser terrenal, de barro, e cuja essência é pó, pelo que voltou, para sempre e em definitivo, para o pó que ele é. Mas o espírito do homem é imortal, pois é um ser celestial e emanado de Deus, e só sai do homem que se tornou cadáver. E a explicação de que não se pode separar o homem visível terrenal do homem invisível celestial só vale para quando o espírito está encarnado. Mas quando o homem terrenal morre, a separação é uma realidade.

       Para nós nos convencermos dessa separação, basta lermos Eclesiastes 12:7, que nos mostra que ela é real e até inevitável. De fato, o destino do espírito é a dimensão espiritual, enquanto que o do corpo é o cemitério!

     PS: Meus livros se encontram na UEM, Rua dos Guaranis, 315.

     Obs.: Esta coluna, de José Reis Chaves, às segundas-feiras, no diário de Belo Horizonte, O TEMPO,  pode ser lida também no site www.otempo.com.br   Clicar "TODAS AS COLUNAS".       Podem ser feitos comentários abaixo da coluna. Ela está liberada para publicações. Ficarei grato pela citação nelas de meus livros: "A Face Oculta das Religiões", Ed. EBM (SP), "O Espiritismo Segundo a Bíblia", Editora e Distribuidora de Livros Espíritas Chico Xavier, Santa Luzia (MG), "A Reencarnação na Bíblia e na Ciência" Ed. EBM (SP)  e "A Bíblia e o Espiritismo", Ed. Espaço Literarium, Belo Horizonte (MG) –  www.literarium.com.br -  e meu e-mail: jreischaves@gmail.com. Os livros de José Reis Chaves podem ser adquiridos também pelo e-mail:  contato@editorachicoxavier.com.br    e o telefone: 0800-283-7147.      

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