Art&MusicaLSlides® "A sensibilidade e a delicadeza"

 

A sensibilidade e a delicadeza

 

Como nosso vernáculo é rico... Duas palavras tão simples, mas que encerram profundidades incríveis em seu conteúdo...

 

Ao apreciarmos uma obra de certo artista plástico, notamos, desde logo, que foi exatamente o "dom" de sua sensibilidade que permitiu aquela criação, aliada a conhecimentos técnicos da arte em pauta – juntamente com sua destreza, que permitiram oferecer ao olhar do mundo sua notável expressão artística. Na música e nas letras evidentemente ocorre o mesmo.

Acredito que esse atributo – sensibilidade – transcende a simples matéria, elevando-se à alma do artista, escritor, e até mesmo do intérprete de notáveis composições. Certamente o mundo seria muito descolorido, sem a materialização das obras que a sensibilidade dessas figuras geniais nos proporciona..., em todas as épocas!

 

A delicadeza, por sua vez, soa-me como um predicado corolário da sensibilidade... Talvez seja a expressão menos sutil e materialmente substantiva da sensibilidade quando esta é manifestada; desde os pequenos gestos, na apreciação de uma obra plástica ou literária, nos encantos da natureza..., enfim, na majestade da Criação! Ela é harmônica e conduz em si o equilíbrio auferido pelo conhecimento do intelecto e do espírito exteriorizado por almas sensíveis que, sem se despojarem da matéria, exalam ao seu derredor vibrações benfazejas que conduzem, e carreiam para si próprias, equilíbrio e harmonia – dois predicados intimamente ligados à força maior do universo – o Amor !

 

Ficamos surpresos quando notamos que determinadas obras – plásticas ou literárias, não são apreciadas por algumas pessoas. Digo que não deveríamos; a sensibilidade – não para criar, mas tão somente para apreciar, ainda não foi suficientemente desenvolvida nessas pessoas, infelizmente. Sua sintonia encontra-se ainda em nível menos sutil e um tanto quanto bruta – carecendo ser lapidada, primeiramente em sua alma e posteriormente, com os efeitos naturais, em sua matéria.

Apenas para exemplificar, encontramos esse verdadeiro acinte às almas mais evoluídas no episódio em que a obra de Michelangelo – "Capela Sistina" – teve as figuras de sua criação "cobertas para esconder a pretensa impureza de sua nudez", por decisão do papa de então. Naturalmente tal absurdo foi, anos depois, desfeito e hoje aprecia-se a maravilha desse estupendo artista como originalmente foi criada e elaborada. Evidentemente "o impuro" não era a nudez, mas os olhos (e a alma) de quem assim a via, visto não possuir a sensibilidade necessária que permitiria apreciar aquele trabalho..., com "pureza" de alma!

 

Ah... A mente humana..., de tudo ela é capaz, inclusive dessas aberrações... Entretanto havemos de entender que tudo no universo se encontra em equilíbrio, apenas os degraus em que nos encontramos é que são diversos – uns se encontram em mais elevados, outros ainda estão nos mais baixos, e há até os que se aproximam do rés do chão, não é mesmo!

É bem por isso que a maioria das pessoas, equivocadamente, costuma avaliar o próximo em conformidade com suas próprias medidas – e nas mais das vezes cometem enormes enganos, especialmente quando sua "régua" é bem pequena.

 

Enfim, meu objetivo nesta singela crônica foi o de palmilhar as percepções que devemos ter a respeito das conquistas necessárias ao nosso progresso e desenvolvimento, tanto moral quanto espiritual, e enfatizar que o aprendizado e sua prática efetivamente nos trarão benefícios desde já..., e seguramente consistentes ganhos para o depois..., sempre!

 

 

20 de novembro de 2011

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