Art&MusicaLSlides® José Reis Chaves - "O Tempo" - BH - ENTENDER A TRINDADE É ATÉ FÁCIL, CRER NELA É QUE É DIFÍCIL
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012ENTENDER A TRINDADE É ATÉ FÁCIL, CRER NELA É QUE É DIFÍCIL
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Há uma história – verdadeira ou lendária? – sobre o grande médium santo Agostinho. Ei-la: Ele teve uma visão de uma criança transportando água do mar em uma folha de uma planta para um buraco de formiga. Diante dessa cena estranha, ele perguntou à criança o que ela estava fazendo, e ela respondeu que era mais fácil ela colocar toda a água do mar naquele buraquinho do que ele entender o mistério trinitário cristão. Com esse absurdo, não teria ele querido ironizar essa doutrina, apesar de ele ter sido um dos seus construtores? Deus é mistério sim, mas os teólogos ampliaram esse mistério.
A Igreja, em ritmo de tartaruga, demorou trezentos e cinquenta anos para reconhecer a verdade do heliocentrismo e tirar a excomunhão de Galileu. Esperamos que não seja tarde demais o seu despertar para corrigir os seus outros erros. Que os teólogos cristãos descubram o Deus verdadeiramente divino, destronando o humano e mitológico!
Segundo os teólogos, o Espírito Santo é o amor do Pai para o Filho, e do Filho para o Pai. Mas Deus é também a causa primeira de todas as coisas. Então, Ele não pode ser apenas o amor para com o Filho representado pelo Espírito Santo, Pessoa Divina, ou seja, Deus no aspecto de Terceira Pessoa Divina trinitária. E são Tomás de Aquino, na "Suma Teológica", não gosta da ordem de Pai-Filho-Espírito Santo, mas desta: Espírito-Pai-Filho. Ele entende que Deus é Espírito e tem os aspectos de Pai e Filho. Mas como esses aspectos de Pai e Filho, emanados ou criados pelo Espírito Deus, podem ser duas Pessoas Divinas, formando três Pessoas Divinas, contando-se com a Pessoa Divina do próprio Deus? Isso é a maior antropomorfização de Deus da istóriaHistóriaH História! Os teólogos do Concílio de Éfeso (431) proclamaram que Jesus é Pessoa Divina e não humana, com o que a Igreja Ortodoxa Oriental não concorda. E os teólogos afirmam que, "com razão, as três Pessoas são três homens, porque a natureza humana não é a mesma numericamente (quantitativamente) em cada um dos três." E ainda afirmam que "as três Divinas Pessoas não são Deuses, porque a natureza divina é numericamente (quantitativamente) a mesma em cada uma delas." (O advérbio quantitativamente entre parêntesis é colocação minha, num esforço para aclarar o assunto). Os teólogos do Concílio de Calcedônia (451) sustentaram que Jesus não é Pessoa humana, mas que Ele tem também natureza humana, além da divina. E o Concílio de Lion (1274) declarou o "Filioque", que diz que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, do que a Igreja Ortodoxa Oriental discorda, alegando que o Espírito Santo procede só do Pai. (Mais detalhes em meu livro "A Face Oculta das Religiões", Ed. Megalivros-EBM, SP).
E um detalhe sobre são Mateus 28:19: de citações de textos antigos desta passagem por padres da Igreja não consta esta parte: "batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo", mas apenas "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações."
Parece que dá para entender esse "pacote teológico misterioso" sobre Deus, embora os próprios teólogos digam que isso é ininteligível. O difícil, porém, é concordarmos com ele. E uma coisa é certa, com a criação do mistério desse tamanho a respeito de Deus, os teólogos complicaram tanto Deus, que eles servem mais ao materialismo do que ao espiritualismo e ao próprio Deus!
PS: Lançado o interessante livro "Além da Casinha Branca", do jornalista articulista de O TEMPO, Ariosto da Silveira.
Obs.: Esta coluna, de
Outros colunistas de O TEMPO: Miriam Leitão, Vittorio Medioli, Arnaldo Jabor, Dora Kramer, Laura Medioli, João Batista Libânio (teólogo Jesuíta), Elio Gaspari, Xico Sá, Luiz Carlos Bernardes, Torquato (USP), Luiz Aureliano, Gilda de Castro, Manoel Lobato, Murilo Badaró (Presidente da Academia Mineira de Letras), Robson Damasceno Reis, Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, Teodomiro Braga, Ana Elizabeth Diniz, Trigueirinho, Leonardo Boff, José Dirceu (ex-ministro do Lula), Tostão e outros.
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