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Quando as vítimas não são todas iguais

Posted: 21 Mar 2012 10:22 AM PDT

O triplo crime de Toulouse apresenta numerosos factos estranhos e difícil de serem explicados. 

A coincidência com actual período eleitoral francês é uma bênção para Sarkozy.

A diferenciação com que são tratadas as vítimas, pela comunicação social, em função da sua origem étnico-religiosa é abjeta.

 

Uma polícia ineficiente...

 

O autor dos crimes de Toulouse, em França, será um francês de origem argelina e que estaria a ser vigiado desde há anos pelos serviços secretos franceses, em particular por se ter deslocado várias vezes ao Paquistão e Afeganistão.

 

No primeiro crime, terá morto um jovem militar de origem marroquina num parque automóvel, com um tiro na cabeça, após este ter colocado à venda a mota num site conhecido. A polícia  dirigiu o seu inquérito para os servidores desse site para identificar o seu endereço IP. Quanto tempo leve um amador a a identificar um endereço IP a partir do ficheiro de um servidor? Talvez duas horas. A policia: menos de vinte minutos.

Então porque é que nada foi feito para prender o suspeito logo no seu primeiro crime?

 

Os serviços secretos ocidentais são peritos em manipular a opinião pública através de atentados imputados a islamitas. Frequentemente utilizam muçulmanos descontentes e incitam-nos a passar ao acto, quando não são os próprios serviços secretos que os recrutam fazendo-se passar por organizações terroristas.

Será este mais um caso?


A "cor" das vítimas conta...

A morte de três soldados, dois de origem magrebina e um negro, não traumatiza suficientemente a opinião pública, o trauma tem de ser maior. Neste contexto nada melhor do que matar crianças, nesta caso judias. Aqui mais uma coincidência: o estabelecimento de ensino judaico tinha sempre vigilantes armados nos portões de entrada, nesse dia ninguém.

Assassinar magrebinos ou negros não suscitou qualquer emoção mediática, no entanto o assassino de crianças judias teve uma mobilização da parte do Estado sem precedentes e uma difusão mediática com protestos internacionais vigorosos. Porquê esta diferença?

 

Esta diferenciação mediática demonstra, mais uma vez, o carácter racista dos meios de comunicação social ao serviço de grandes grupos económicos bem definidos e que manipulam os acontecimentos a seu favor e a favor das ideologias que defendem.

 

A hierarquização das vítimas equivale a dizer que as vítimas não são todas iguais, não valem todas o mesmo, não tê direito à mesma compaixão. 

 

Em 2005, em Paris, 14 crianças africanas foram vítimas de um incêndio criminal, nenhum político dignou deslocar-se ao local. Em 2009 centenas de crianças foram mortas na Faixa de Gaza pelo exército israelita, os média ficaram silenciosos.

 

Quando falamos em judeus, volta sempre o facto que por causa da "Shoah" é legítimo dar mais importância às vítimas judaicas. As vitimas da teoria da superioridade das raças não têm legitimidade para hierarquizar as outras vítimas. Esta teoria legitima, em nome da superioridade do sofrimento, que as vítimas antigas se tornam em torturadores futuros, como na Palestina.

 

A hierarquização das vítimas equivale à hierarquização das raças. Ora, os próprios judeus sempre foram reféns do sionismo que usa o anti-semitismo para recrutar judeus para participarem na sua conquista territorial. Este é mais um caso em que só se ouviu falar em anti-semitismo. Porquê, quando houve vítimas árabes e negras?

 

Quem beneficia com estes atentados?

 

Para alem deste aspecto, uma questão permanece: quem beneficia com estes crimes demasiado "perfeitos"? Como já vimos a campanha eleitoral foi suspensa, mas o candidato-presidente Sarkozy aparece várias vezes por dia na televisão a falar do assunto. Neste momento apenas um dos candidatos presidenciais tem voz perante a opinião pública: Sarkozy.

 

Este caso parece ser mais uma conspiração politico-mediática que acontece (puro acaso, claro) numa fase decisiva da campanha presidencial francesa. A reeleição de Sarkozy era praticamente impossível, "a única chance de Sarkozy ser eleito residia num acontecimento exógeno à campanha, um acontecimento internacional, excepcional ou traumatizante" como disse a semana passada Christophe Barbier, amigo íntimo de Sarkozy.

Coincidência em período eleitoral?

 

As questões essenciais, as económicas e sociais, desapareceram durante este período, só permanece a questão da insegurança. A insegurança transmitida horas a fio pelos media, através deste crime odioso de criança cometido por um radical muçulmano, cultiva o medo. Uma população com medo é uma população fragilizada. Sarkozy surge assim como um chefe de Estado exemplar, uma espécie de super-homem salvador da França.

 

Por outro lado, a vitimização dos judeus, com que o povo francês sempre se identificou, ajuda a opinião pública a ficar preparada para um eventual ataque ao Irão, afim de castigar os perigosos muçulmanos. 

 

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