Art&MusicaLSlides® Leônidas - "REFFLEXOES, ÉTICA E CARÁTER"
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terça-feira, 15 de maio de 2012REFLEXÕES
Livro muito interessante para se ler e refletir neste momento é A Arte de Furtar. Monumento da prosa barroca, A Arte de Furtar, hoje dominantemente atribuída ao jesuíta Padre Manuel da Costa (1601-1667), é uma das obras literárias emblemáticas do período da Restauração e o ponto mais alto da literatura portuguesa de costumes dos séculos XVI a XVIII. No entanto, a sua primeira edição indica seguidamente ter sido «Composta pelo/Padre António Vieira,/Zeloso da Pátria».
A corrupção, aliada à impunidade, de quem é filha, já indignava o autor de A Arte de Furtar, escrito entre os séculos 17 e 18:
"Se vossa casa, ontem, era de esgrimidor, como a vemos hoje à guisa de príncipe? E até vossa mulher brilha diamantes, rubis e pérolas, sobre estrados broslados? Que cadeiras são essas que vos vemos de brocado, contadores da China, catres de tartaruga, lâminas de Roma, quadros de Turpino, brincos de Veneza etc.?”
"Eu não sou bruxo nem adivinho; mas me atrevo, sem lançar peneira, a afirmar que vossas unhas vos granjearam todos esses regalos para vosso corpo, sem vos lembrarem as tiçoadas com que se hão de recambiar no outro mundo. Porque é certo que vós os não lavrastes, nem os roçastes, nem vos nasceram em casa como pepinos na horta".
"Furtam pelo modo infinito, porque não tem fim o furtar com o fim do governo e sempre lá deixam raízes, em que vão continuando os furtos. Finalmente, nos mesmos tempos não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, mais-que-perfeitos e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse".
Em A Desordenada Cobiça dos Bens Alheios - Antiguidade e Nobreza dos Ladrões (1619), Carlos García diz que a arte da ladroagem é superior à alquimia, pois do nada faz tudo:
"Haverá maior nobreza no mundo que ser cavaleiro sem rendas e ter os bens alheios tão próprios que se pode dispor deles a seu gosto e vontade, sem que lhe custe mais que pegar-lhes?".
E denuncia o engano em que muitos vivem, "crendo que foi a pobreza a inventora do furto, não sendo outros senão a riqueza e a prosperidade".
Padre Vieira, nascido há 400 anos, alerta em seu "Sermão do Bom Ladrão" (1655):
"Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo do seu risco, estes, sem temor nem perigo; os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam".
“Chamamos de Ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando.
O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando, chamamos de Caráter”.
Oscar Wilde
PRA REFLEXÃO, MESMO!
Leônidas Loureiro
Saúde e Paz
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