Art&MusicaLSlides® "A Verdadeira Amizade e o Trabalho"
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terça-feira, 15 de maio de 2012A Verdadeira Amizade e o Trabalho
O relacionamento humano é extremamente complexo, visto as individualidades possuírem características heterogêneas e igualmente complexas, por essa razão às vezes nos defrontamos com situações revestidas de nuances um tanto acinzentados, infelizmente.
Sem adentrarmos no capítulo que perscruta as experiências e as conquistas do pretérito e a "bagagem" já amealhada, considerando a eternidade da alma bem assim de suas múltiplas existências, detenhamo-nos tão somente no que constitui o "ser" na presente vida e que pauta o nosso comportamento em sociedade, assim poderemos verificar:
Os usos e costumes, bem como as regras de educação e conduta, observado o respeito ao próximo e balizados pelos postulados das leis do Direito – e dos enunciados dos profetas encontrados nas diferentes religiões – seguramente deveriam nortear a postura e as ações do homem de bem, daqueles que todos buscamos para construir um relacionamento saudável e duradouro de amizade leal e fraterna. Afinal o homem não é um ser que "caminha" solitário em sua existência terrestre..., ele só não se basta na caminhada a que estamos todos comprometidos!
Aprendemos e construímos juntos o futuro da humanidade, participando efetiva, e ativamente, na igual proporção da capacidade de contribuição que cada qual está apto a oferecer – e assim o faz, e também somos beneficiados tendo em vista o progresso profissional e material, o desenvolvimento cultural e as necessárias aquisições de ordem moral que todos devemos fazer.
É, portanto, com esse perfil de pessoas que nos identificamos e formamos o círculo de amizade mais chegado; às vezes atingindo uma proximidade até mais estreita do que a naturalmente existente entre familiares. Seguramente é a afinidade da identidade de valores que responde por isso.
No mundo moderno, onde as relações de trabalho e comerciais são cada vez mais impessoais – às vezes o conhecimento e as negociações entre os indivíduos restringem-se tão apenas aos contatos telefônicos ou através dos recursos de comunicação oferecidos pela Internet, torna-se progressivamente menor o "espaço" para o relacionamento pessoal e, com ele, a possibilidade de interagirmos construtivamente com as pessoas.
Essa perda, especialmente verificada nas metrópoles e grandes cidades, ainda não ocorre tão fortemente em conglomerados urbanos de pequeno porte: as pequenas e aprazíveis cidades de nosso interior, ou litoral, onde a vida é mais calma e segue um ritmo ditado por valores que refogem do que costumeiramente chamamos de "alucinante".
Trânsito alucinante, poluição da água, do ar e visual, impessoalidade entre os indivíduos, frieza comportamental, egocentrismo exacerbado – especialmente este se fazendo acompanhar do orgulho e do egoísmo (as duas maiores chagas da humanidade), quando não é utilizado como "escudo" em face de problemas mal resolvidos da psique..., ufa!
É então neste cenário, desde os bancos escolares e, posteriormente na vida adulta com o desempenho das atividades profissionais que temos a grata oportunidade de encontrar pessoas que cultuam o idealismo, este que é diametralmente oposto ao egoísmo, às vezes utópico em seu foco – é bem verdade.
São pessoas que mesmo sem procurarem "fazer a diferença", ao serem observadas incitam os demais que se lhe achegam à reflexão, tendo em vista os valores perenes manifestos que se sobrelevam à matéria. Esses indivíduos, contudo, também necessitam exercer seu ofício, sua atividade laboral para dignamente obter o ganho correspondente ao seu esforço, ao saber e à sua experiência, atributos que lhe permitiram desenvolver seu trabalho de forma profissional, ética e competente.
Tristemente indivíduos outros, mais comprometidos com a "modernidade", aproximam-se portando díspar identidade de valores e com personalismo próprio visando exclusivamente a satisfação de seus interesses momentâneos além de, em não raros casos, alimentar seu egocentrismo..., seu enorme ego.
Tiram o proveito que buscavam e, ao atingirem seu objetivo, empavonam-se sobre o pedestal de seu personalismo, esquecendo-se até de que o trabalho profissional que lhes foi dedicado não concebe ter como remuneração a amizade. Trata-se de matérias distintas!
Não estamos nos referindo, evidentemente, ao auxílio que não deve ser negado a quem não se encontra em condições de pagar materialmente pela ajuda profissional recebida.
Certo é que seria sempre desejável que as relações de trabalho pudessem ser desenvolvidas sob a moldura da verdadeira e fraterna amizade entre as pessoas envolvidas, contudo o discernimento e o respeito exigem postura correta do beneficiado tendo em vista o trabalho executado, não somente o "empenho sincero" (será?) de uma amizade que demonstra buscar unilateralmente a satisfação de seus interesses.
Conta-se que certa vez um grande colecionador de obras de arte ao verificar um pequeno dano causado em uma de suas famosas telas, contratou um especialista para tentar repará-la. O restaurador executou com perfeição seu trabalho no mesmo dia, em poucas horas e, ao apresentar a "conta" pelo serviço ouviu o espanto do contratante ao dizer: "Mas tudo isso, por apenas umas poucas horas de serviço?" A resposta foi: "Esse valor não tem nenhuma relação com o tempo dispendido, mas sim com o conhecimento, a habilidade e a maestria que me permitiram realizar com perfeição o restauro necessário na pintura daquele quadro."
Pois assim é no cotidiano de nossas vidas... Todos possuímos amigos exercendo as mais diferentes atividades profissionais e, muitas vezes, julgamos erroneamente que nossa amizade é justificativa suficiente para o pagamento de algum trabalho que nos favoreceu, naturalmente acompanhada de um agradecimento elogioso: "Muitíssimo obrigado!"
Sejamos, pois, conscientes de que todas as relações de trabalho implicam na contrapartida correspondente, no caso em tela a remuneração justa e adequada..., até para que os laços de amizade que contemplam o respeito, a admiração, a lealdade e a confiança tenham a oportunidade de ser ainda mais fortalecidos.
Reflitamos e busquemos, o mais breve, a eventual correção de conduta de que necessitarmos por tal mazela ainda estar presente em nosso "ser".
15 de maio de 2012



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