Art&MusicaLSlides® "Algumas ilações acerca da autoestima e da dignidade"
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segunda-feira, 16 de julho de 2012Algumas ilações acerca da autoestima e da dignidade
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Em psicologia, autoestima inclui a avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau.
A autoestima envolve tanto crenças autossignificantes, por exemplo, "Eu sou competente, ou incompetente", "Eu sou benquisto/malquisto", e emoções autossignificantes associadas, por exemplo: triunfo/desespero, orgulho/vergonha. Também encontra expressão no comportamento como assertividade/temeridade, confiança/cautela. Em acréscimo, a autoestima pode ser construída como uma característica permanente de personalidade – traço de autoestima – ou como uma condição psicológica temporária. i.e., estado de autoestima. Finalmente, a autoestima pode ser específica de uma dimensão particular, por exemplo: "Acredito que sou um bom escritor e estou muito orgulhoso disso" ou de extensão global, "Acredito que sou uma boa pessoa, e sinto-me orgulhoso quanto a mim no geral".
F. Potreck-Rose e G. Jacob propõem uma abordagem psicoterapêutica para baixa autoestima baseada no que elas chamam de "os quatro pilares da autoestima":
1. Autoaceitação: uma postura positiva com relação a si mesmo como pessoa. Inclui elementos como estar satisfeito e de acordo consigo mesmo, respeito a si próprio, ser "um consigo mesmo" e se sentir em casa no próprio corpo;
2. Autoconfiança: uma postura positiva com relação às próprias capacidades e desempenho. Inclui as convicções de saber e conseguir fazer alguma coisa, de fazê-lo bem, de conseguir alcançar alguma coisa, de suportar as dificuldades e de poder prescindir de algo;
3. Competência social: é a experiência de ser capaz de fazer contatos. Inclui saber lidar com outras pessoas, sentir-se capaz de lidar com situações difíceis, ter reações flexíveis, conseguir sentir a ressonância social dos próprios atos, saber regular a distância-proximidade com outras pessoas;
4. Rede social: estar ligado em uma rede de relacionamentos positivos. Inclui uma relação satisfatória com o parceiro e com a família, ter amigos, poder contar com eles e estar à disposição deles, ser importante para outras pessoas.
Os dois primeiros pilares representam a dimensão intrapessoal da autoestima, os dois outros sua dimensão interpessoal.
Para melhor perscrutarmos esse tema, imprescindível se faz mencionar as observações de renomados autores e também tecer algumas considerações sobre o "Timo", a nossa glândula do sentimento mais íntimo e profundo - Thymos, dignidade e amor-próprio
"Thymos é algo como um senso inato de justiça humana, as pessoas acreditam que têm um certo valor, e quando outras pessoas agem como se eles valessem menos - quando não reconhecem o seu valor com a dimensão correta do valor que o indivíduo se lhe dá - tornam-se naturalmente irritados.
A íntima relação entre a auto-avaliação e a raiva pode ser visto na palavra inglesa sinônimo de raiva: "indignação". "Dignity" refere-se à sensação de uma pessoa atingida em sua auto-estima; assim, "dignation" surge quando algo acontece de forma a ofender nosso senso de valor. "
"Thymos constitui algo como um senso inato de justiça humana, e como tal é a sede psicológica de todas as virtudes nobres como o altruísmo, o idealismo moral, auto-sacrifício, coragem e honradez."
"As pessoas avaliam e atribuem valor a si mesmas em primeiro lugar, e sentem indignação em relação a si próprios. Mas também somos capazes de atribuir valor às outras pessoas, e sentir raiva em relação aos outros ."
Todo indivíduo tem dignidade. Os princípios de direitos humanos foram elaborados pelos seres humanos como uma forma de garantir que a dignidade do indivíduo seja um atributo a ele intrínseco, devendo ser igualmente respeitado, ou seja, configura-se como condição primeira para garantir que um ser humano esteja apto e capaz de desenvolver plenamente – e usar, as qualidades humanas como o talento, a inteligência e consciência a fim de satisfazer suas necessidades psicológicas e espirituais, em atendimento aos primários elementos necessários à sua realização.
A dignidade dá a um indivíduo um sentido de valor e valorização. A existência dos direitos humanos demonstra que os seres humanos têm consciência de si e que sua existência vale à pena.
A dignidade humana não é um sentido individual, exclusivo e isolado; é uma parte da nossa humanidade comum.
Os direitos humanos nos permitem respeitar uns aos outros, e viver uns com os outros. Em outras palavras, eles não são apenas direitos a serem solicitados ou exigidos, mas direitos que devem ser respeitados indistintamente com absoluta responsabilidade.
Os direitos que se aplicam a um indivíduo também se aplicam aos outros. A negação dos direitos humanos e liberdades fundamentais, não só se constitui em uma tragédia individual e pessoal, mas também cria condições plurais para o surgimento de instabilidades que conduzem à agitação social e política, espalhando as sementes da violência, provocando conflito dentro e entre sociedades e nações.
A história nos retrata amplamente essa realidade ao relembrarmos deploráveis conflitos vivenciados pela humanidade, em todos os tempos.
Em uma sociedade tão complexa, e completamente organizada como a nossa, em um mundo globalizado com as nações, e com os povos tão interdependentes, a escolha entre desejos individuais e necessidades sociais torna-se difícil.
Dignidade não consiste em ter uma boa moradia, ser bem-vestido e bem alimentado. Gandhi nunca perdeu a dignidade e, no sentido mais profundo da palavra, nunca perdeu a segurança, mesmo quando ele viveu na prisão, vestido unicamente com uma tanga, e subsistindo bebendo leite de cabra.
Outros homens, ditos com "sangue real", apesar de viverem no luxo, não têm nenhum pingo de auto-respeito e não merecem o respeito dos outros.
A dignidade repousa no equilíbrio individual – para consigo mesmo e em sua interação social, é dependente do aprimoramento das leis transitórias que regulamentam a vida do cidadão em uma nação, observando sua efetiva e célere aplicação, na higidez moral dos representantes do povo junto aos poderes de uma nação democrática, especialmente o judiciário.
A dignidade não admite que haja diferença no preceito constitucional que reza a igualdade entre as pessoas onde infelizmente observa-se, muita vez, que alguns são mais iguais do que outros perante a lei.
Dignidade não deriva do "status" ou da situação econômica de um homem (sic), nem da sua vocação. Ela repousa exclusivamente sobre a fé viva de que todos os indivíduos são seres de infinito e equivalente valor.
Reflitamos...
16 de julho de 2012
Referências:
"Sedikides & Gregg" – Ed. 2003;
"F. Potreck-Rose e G. Jacob" – Ed. 2006
"O Fim da História e o Último Homem" - Francis Fukuyama;
"O Indivíduo" - Henry Wriston;
"O imperialismo pós-imperial" - Rick Salutin.


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