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Nossas cobranças

 

Nos relacionamentos entre as pessoas – sejam eles de que sorte o for, sempre se encontra presente, e bem substantiva, a expectativa potencial do ato da troca.

Refiro-me às normas enunciadas pelas regras de comportamento em sociedade, no trabalho e também no ambiente doméstico; inclusive aquelas que regem e conduzem a forma com que lidamos com nós próprios, e até com todas as individualidades imateriais que encarnam e dão substância à nossa fé filosófica religiosa – extensivamente a Divindade; este último mister, naturalmente, é tema de capítulo à parte.

Nesse contexto, enquanto imersos na matéria é inevitável criarmos expectativas personalíssimas as quais nem sempre são comungadas por outrem, e conseqüentemente atendidas – levando-se em conta também o componente mérito, tendo em vista o horizonte mais amplo da vida imortal – mesmo encontrando respaldo nos ditos procedimentos aceitos pela sociedade e que balizam pluralmente o ato que aguardamos contenha a interação com a concretização portadora da resposta que ansiamos.

Temos que nos conscientizar de que somos individualidades distintas, que incorporamos personalidades e psiquè igualmente díspares as quais nem sempre conseguem se submeter igualmente às regras temporais normatizadoras do comportamento humano, mesmo esforçando-se por manter a desejada lisura e delicadeza no trato interpessoal, imprescindível ao convívio harmônico e em equilíbrio com todos que se nos participam da existência; o mesmo se dá no plano imaterial que gravita no orbe terreno. Há que se considerar outros elementos, tais como a afinidade, a similitude, etc.

Os desejos e a exteriorização das inerentes manifestações são particulares a cada ser, só sendo comuns e compartilhadas em casos e situações distintas e, nas mais das vezes, especialíssimas – mesmo quando encerram objetivos comuns. O padrão vibratório e o sentimento constituem-se no amálgama por excelência.

Estas observações, por óbvio, consideram a inter-relação do comportamento do plural dos personagens, todos orientados pela ética, por atos lastreados na prática da moral elevada e na honestidade de princípios, visto tais atributos em nada colidirem com posturas divergentes naturalmente existentes entre os indivíduos em face da bagagem amealhada em suas distintas experiências, pelo contrario constituem-se em exigências desde logo requeridas.

O componente emocional é grandemente responsável pelas atitudes, mas também responde pela frustração quando não somos atendidos em nossas expectativas ou quando nos é exigido refrear o ímpeto – notadamente quando este é obstado pela razão consciente, balizada tanto pela sutileza e intensidade dos sentimentos acalentados quanto pelas normas e regras comportamentais que determinam os já mencionados processos de troca universalmente aceitos.

Neste contexto, em particular, situações encontradas na matéria que situam-se fora de nosso controle, que se apresentam no dia-a-dia, e que a elas temos que nos submeter, como também as consideradas exógenas, mas que integram o rico aprendizado oferecido pela existência – o viver, em última instância, contém e ensejam a indesejável sensação da impotência, obrigando-nos a exercitar exaustivamente o controle emocional, sendo sempre desejável que o seja alicerçado em bases sólidas do raciocínio consciente.

Tudo faz parte do aprendizado de curto e longo prazos, para nosso benefício, e a mente ao administrar os órgãos da matéria em tais circunstâncias muita vez se obriga a lhes impor temerosa sobrecarga ao necessário equilíbrio somático. Perdas nem sempre restritas ao presente, neste caso, são inevitáveis.

Tal é o perfil que se pode perceber atualmente da humanidade considerada mais civilizada em nossa morada planetária em face de suas louváveis conquistas, muito embora de nível ainda acanhado e que está a exigir sacrifícios reparadores em face ao progresso esperado com vistas ao horizonte mais amplo da vida eterna. A forja purificadora desde sempre encontra-se em ação.

Aos embates e às cobranças que atingem nosso imo, equilíbrio é a palavra chave!

7 de julho de 2012

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