Art&MusicaLSlides® Isabel - "A troika está cá a nosso pedido"

Abraços

Isabel

 

A “troika” está cá a nosso pedido


Qualquer pessoa de bem que contrai uma dívida tem por obrigação pagá-la e criar as condições - quer na aplicação do empréstimo quer no seu modo de vida - para que esse pagamento se efectue nos prazos acordados. Se o credor for sempre o mesmo ou se tiver conhecimento que os hábitos de dissipação do devedor são recorrentes, é compreensível que exija  fiscalizar a maneira como é aplicado o seu empréstimo e que oriente o desleixado devedor, que já deu provas dos mais perniciosos hábitos e da mais refi nada incompetência, na melhor maneira de encontrar as soluções adequadas.
O Estado português, nos últimos trinta anos, entendeu que estes princípios não se lhe aplicavam. Foi o único país europeu que por três vezes estendeu a mão ao FMI, para não cair em bancarrota. Por duas vezes terá honestamente cumprido as suas obrigações com o FMI.

Mas, ignorando o mais elementar bom senso, (apesar dos milhões que nos foram oferecidos pela Europa, das já dissipadas 400 toneladas de ouro da “pesada herança” e das alienações do outrora valioso património do Estado) o Estado entendeu que o bom, o óptimo, seria aumentar sem critério o funcionalismo público, aumentar em número e regalias todos os cargos políticos, expandir de forma inútil e insensata as instituições políticas, inventar lugares com ordenados principescos para satisfazer as cliques partidárias, fazer investimentos inúteis com derrapagens nunca esclarecidas, viagens sumptuárias, festas delirantes, subsidiar tudo e todos, uns para não trabalhar, outros por não terem trabalho, outros por não quererem trabalhar e outros porque estão com gripe.

É para mim estranho que se façam declarações e tomem atitudes contra a troika como se ela fosse responsável pelo despesismo e incompetência dos sucessivos governos que nos conduziram, já por três vezes, à falência. É para mim incompreensível que se acusem os credores que permitiram, a juros aceitáveis, que se pagassem salários e pensões para que todos pudéssemos comer e não os gangues que, impunemente, nos levaram à bancarrota. Seria óptimo que a troika não estivesse em Portugal. Mas não nos invadiram, nem entraram clandestinamente.

Entraram a pedido dos próprios responsáveis pela nossa desgraça. Não será descabido que  fiscalizem a aplicação do seu dinheiro porque os (des)governos portugueses já mostraram ser incapazes de gerir o que quer que seja e não têm a coragem de tomar, por ganância e eleitoralismo, as medidas adequadas à situação actual e que nos ajudariam a sair, o menos dolorosamente possível, desta desalentadora crise.

Compreendo a indignação e o desalento da rua, mas não entendo a pontaria nem os objectivos. Não se vê quem apresente alternativas válidas e credíveis, ou se as têm, não conduzem à poupança necessária que permita que os nossos credores as aceitem. Todos dizem que o caminho não é este, o que pode até ser razoável, mas não são capazes de apontar soluções credíveis e consensuais.

Após a inábil declaração do 1º Ministro, parece-me que os responsáveis ficaram mais atordoados do que o próprio país e as reuniões que se deveriam ter iniciado na hora, foram inexplicavelmente adiadas, entre silêncios convenientes e explicações atabalhoadas, mais uma vez com danos para o país e o aproveitamento, sempre “patriótico e desinteressado”, dos partidos.

Nas verdadeiras democracias, sensatas e evoluídas, numa emergência, seja uma guerra, uma catástrofe ou a eminência de bancarrota, cumpriria ao Presidente da República, ao Governo e à Assembleia da República, encontrarem, com urgência, os necessários e rápidos consensos para evitar o poder da rua e uma rebelião, sempre insensata, perigosa e imprevisível.

Mas não. Estão todos mais preocupados com a sua imagem, com as vantagens e desvantagens para o seu partido, com as “suas” Fundações, com as suas regalias, com os seus negócios, etc.

Não foi a troika que nos empobreceu ou nos causou danos. Não foi a troika que nos roubou a soberania. Entregamo-la – felizmente porque não nos sabemos governar. O haver ainda dinheiro para pagar salários e pensões devemo-lo à troika e por isso lhe deveríamos estar reconhecidos.

Só espero que não se vá embora tão cedo para que se possam corrigir alguns dos danos que a ganância de uns e a incompetência doutros nos causaram. Estou certo que mal se forem embora, recomeçaremos um novo ciclo de regabofe e fantasia, com mais ostentação e desperdício.

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