DOENÇAS DA ALMA

* Milton Medran

O que pode levar um rapaz de 21 anos a matar, em série, motoristas de táxi para deles roubar alguns reais? O que faz alguém jogar bombas contra participantes de uma competição esportiva, aparentemente por nada, ou só para espalhar terror? O que há na cabeça dessas pessoas que matam crianças inocentes, a sangue frio? Ou tiram a vida de chefes de família que nada fizeram contra elas? Seus cérebros são iguais aos de todo o mundo. Por mais que fisiologistas, neurocientistas, procurem, não encontrarão células doentes ou neurônios avariados em seus mecanismos cerebrais.

         Há pessoas que parecem saudáveis, são capazes de gestos bondosos, levam uma vida que a gente classificaria como normal. De repente, surpreendem pela prática de crimes hediondos. De uma hora para outra, parecem arrastadas a cometer atos abomináveis, inexplicáveis para quem for buscar razões para isso.

         Ainda não temos todas as respostas. Nem a ciência, nem as religiões oferecem explicações aceitáveis por tanta gente que chora, se revolta e clama por justiça, diante de crimes tão brutais. A Justiça nunca será capaz de lhes compensar a dor e as perdas.

         Razões não há. Motivações podem-se encontrar: cada ser é um espírito com longa trajetória de vida. Por ignorância, desperdiçamos recursos recebidos em cada jornada. Desorganizamos nosso ser. Danificamos os mecanismos sutis de nosso eu mais profundo. Atraímos más companhias espirituais. Adoecemos a alma, enfim. E uma alma enferma às vezes precisa de muito tempo, de várias vidas, para se recuperar. Nosso hoje é resultado de nosso ontem. Nosso amanhã será o que dele fizermos hoje. Cuidemo-nos! Doenças da alma sempre são curáveis. Mas, exigem tempo. Trazem muita dor. Consomem vidas.

 

* Milton Rubens Medran Moreira - Advogado e jornalista. Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - RS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário