A gênese da herança politica..., ou

"A culpa é minha eu ponho ela em quem eu quiser"

 

*Lourenço Nisticò Sanches

Homer Jay Simpson, personagem do desenho animado "Os Simpsons", criado por Matt Groening encarna um indivíduo rude, acima do peso, incompetente, grosseiro, preguiçoso e ignorante, mas extremamente cínico, ladino e ambicioso – fez, e continua fazendo sucesso no mundo das histórias em quadrinho, comandado pela gigante do entretenimento Time Warner.

No episódio em que se refere ao "Doomsday", em que Superman é morto por um tenebroso vilão, é dele a fala:

"Se a culpa é minha eu ponho ela em quem eu quiser".

É... O mau caratismo genético revela-se em cada sílaba dessa deplorável frase.

Mas voltemos ao mundo real, ao dia-a-dia de nosso Brasil, àquele em que não existe ficção e nem o maléfico Homer Jay Simpson...

O mundo em que o Presidente da República jura que nada viu e nada sabia sobre o mensalão, afinal – a culpa não é minha, é dos outros...

Ou mais atualmente a triste reprise, com novas vestes – afinal a situação é outra – imputando que os governadores, prefeitos, o Poder Legislativo e demais autoridades não têm sido sensíveis aos apelos da população face ao estado generalizado de caos em que se encontram os serviços públicos: saúde, educação, segurança, transporte..., sem mencionar os desvios de recursos, a falta de planejamento para determinar prioridades às ações de governo, a corrupção desenfreada e a famigerada volta da inflação.

Pois é, urge desviar o cerne das responsabilidades, afinal a orígem da insatisfação popular, em face das manifestações em todo país, é de todas essas autoridades e representantes do povo – "eles, portanto é que são os culpados", jamais "eu", o executivo...

O marketing tradicional recomenda:                        

Driblemos o foco das atenções para tentar acalmar a massa..., para tanto exige-se que seja feita, a toque de caixa, uma reforma política, vamos reverter para o povo a responsabilidade por suas angústias promovendo uma consulta à população por meio de um plebiscito... Ao custo aproximado de 1 bilhão de reais!

Não sei não... Acho que o mundo da fantasia talvez seja melhor que a triste realidade em que vivemos no Brasil, já há mais de uma década..., ao menos não precisaríamos esperar pelas eleições de 2014... Teríamos o Superman, o Batman e outros heróis para nos defender dos Homer Jay Simpson e demais vilões e vilãs - todos possuidores do mesmo desvio genético !

 

*Lourenço Nisticò Sanches – Profissional de Marketing, pesquisador, cronista e articulista

27 de junho de 2013

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