Art&MusicaLSlides® Milton Medran - "Coluna Diário Gaúcho de 25 de junho de 2013"

                                                                                            DINHEIRO EMBAIXO DO COLCHÃO

 

* Milton Medran

 

Senti pena de Seu Waldomiro. Passou anos guardando dinheiro embaixo do colchão e, quando acordou, as notas não valiam nada.

         A história foi contada no Globo Repórter. Waldomiro mora na zona rural do Espírito Santo. Trabalha na roça e pouco vai à cidade. Durante anos, tudo o que ganhava do leite tirado de suas vaquinhas, guardava embaixo do colchão. Sem filhos e mulher para sustentar, ia acumulando dinheiro. Um dia, pôs tudo num grande saco e levou à cidade. Procurou um banco. Ao ver a dinheirama toda, o gerente foi dizendo: "Mas isso aí, não vale mais nada, homem! São notas antigas. Perderam o valor em 1994, quando a moeda brasileira mudou para o real".

         Decepcionado, Seu Waldomiro jogou tudo num rio. Mas diz que aprendeu a lição. Nunca mais guardou dinheiro embaixo do colchão.

         Muitas pessoas metidas a inteligentes agem como aquele modesto homem da roça. Passam a vida acumulando riquezas que, como disse Jesus, serão consumidas pelas traças e a ferrugem. Só quando acordarem para uma nova vida se darão conta de que aquilo nada valia.

Mas há outros tesouros que jamais perdem valor e que estão à nossa disposição no grande Banco da Vida: a educação do espírito, o serviço ao semelhante, o trabalho digno, a construção de valores positivos em favor do mundo que nos acolheu nesta encarnação. Dinheiro também é um bem valioso.  Desde que corretamente empregado. Quando só queremos acumular, nos escravizamos a ele. E da escravidão do dinheiro a gente custa a se libertar. Mesmo depois que já não mais o temos.

Ainda bem que Seu Waldomiro aprendeu a lição.

 

* Milton Rubens Medran Moreira - Advogado e jornalista. Presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre - RS.

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