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A ciência à procura do Espírito

 

Afinal, a crença nos espíritos não seria apenas uma questão de fé religiosa, como muitos pensam?

 

 

Marcus de Mario

 

Será que os espíritos existem? E a reencarnação, será verdade? Essas perguntas, muito tranquilas de serem respondidas afirmativamente  pelos espíritas, são objeto de investigação por parte de cientistas sérios, em todo o mundo, inclusive no Brasil. Eles buscam provas sobre a existência da alma, já publicaram artigos e resultados de pesquisas em revistas científicas, são muito criticados e ridicularizados, mas insistem em estudar a possibilidade de o homem ser algo mais do que matéria. Para espanto de muitos, recebem apoio de universidades, hospitais e institutos de pesquisa. Afinal, a crença nos  espíritos não seria apenas uma questão de fé religiosa, como muitos pensam? O que esses cientistas já conseguiram? É o que vamos conhecer nesta matéria.

No ano de 1999, surgiu no Departamento de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo) o Programa de Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER), que tem à sua frente o médico e cientista Frederico Leão. Na década de 1980, cético, ele resolveu investigar se havia algum resultado concreto no tratamento espiritual desobsessivo que um centro espírita realizava, por meio de reunião mediúnica, em pacientes de um hospital psiquiátrico mantido pela instituição. Depois de seis meses de acompanhamento, concluiu que 55% dos pacientes que tinham passado pela terapia espírita apresentaram alguma melhora em seu estado mental, contra 15% dos que não tinham passado.  Segundo o chefe do Departamento de Psiquiatria da USP, Eurípedes Miguel, “a medicina está se movendo do eixo que tem como meta combater a doença para o eixo que privilegia a promoção da saúde, assim estamos interessados em qualquer método que possa ajudar as pessoas, mesmo que fuja aos nossos padrões”, conforme afirma em reportagem publicada na revista Superinteressante de outubro de 2011.

A Universidade de Juiz de Fora também mantém um programa de pesquisa nessa área da ciência da espiritualidade. Sob a coordenação do psiquiatra Alexander Almeida, funciona o Nupes (Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde), que já estudou as cirurgias espirituais do médium João de Deus, na cidade de Abadiânia, interior de Goiás; concluiu que as intervenções não eram truques, defendendo, além disso, a necessidade de mais investigações sobre o mundo espiritual. Agora o Núcleo está voltado para pesquisas sobre o fenômeno de experiência de quase morte, as conhecidas EQMs.

Fora do Brasil, as pesquisas também acontecem. No caso da EQM, destaca-se o cientista Sam Parnia, que desde o final da década de 1990 faz investigações científicas no Hospital Geral de Southampton, nos Estados Unidos, onde trabalha como cardiologista, colecionando dezenas de relatos de pacientes que voltaram à vida. Muitos relatos são surpreendentes, com detalhes de acontecimentos enquanto o paciente estava em coma. Para Parnia, isso revela a existência de outra vida paralela à nossa.

Nessa mesma linha de investigação, destaca-se na atualidade o  médico inglês Peter Fenwick, do Hospital Maudsley. Com mais de trinta anos de pesquisa, o médico lembra que, no início, era extremamente cético, mas deparando com um caso em que o paciente jurava ter ansiedade por causa de uma EQM, acabou descobrindo um verdadeiro universo acadêmico de registros e relatos, e passou a fazer suas próprias investigações, que o levaram à conclusão de que existe vida depois da morte.  E. Fenwick não está sozinho. Na Holanda, o cardiologista Pim van Lommel coleciona igualmente relatos de pacientes que passaram pela experiência de quase-morte, relatos impressionantes e que desafiam os cientistas ateus e céticos.

Essas pesquisas tendem a concluir que mente e cérebro são distintos, ou seja, que existe uma consciência independente do corpo. É o que nós, espíritas, chamamos de espírito, e outras crenças, inclusive as populares, chamam de alma, fantasma, espectro ou assemelhados.

Outra pesquisa científica conduzida com seriedade é sobre a existência da reencarnação. Um dos mais respeitados cientistas dessa área é Erlendur Haraldsson, do Departamento de Psicologia da Universidade da Islândia. Seu objetivo de pesquisa são crianças que alegam ter recordações de uma vida passada. Ele as entrevista, bem como aos familiares e amigos, coleta os dados, vai atrás das evidências, confronta informações e conclui que somente a reencarnação pode explicar os extraordinários resultados coincidentes entre relatos e fatos.

E tem mais: intrigantes marcas de nascença têm tudo a ver com a descrição da morte da criança em vida anterior. Isso trouxe ao campo da pesquisa o psiquiatra americano Jim Tucker da Universidade da Virginia, o qual, depois do estudo de vários casos, chegou à conclusão que a consciência sobrevive, embora ele não consiga explicar exatamente como.

Apesar das inúmeras críticas sobre essas pesquisas, o fato é que ciência e medicina aliadas à espiritualidade são temas em discussão em congressos e encontros internacionais, e o que antes era visto como algo ridículo, sem valia, levando o selo do menosprezo, hoje é objeto de atenção e discussão. Os cientistas já sabem que a alma não é tema exclusivo da religião, e que a ciência pode e deve entrar nesse terreno, pois ela muito tem a contribuir para desvendar os mistérios em que as religiões envolveram o espírito e a vida após a morte.

Quando a ciência aproximar-se do Espiritismo, que lhe apresenta de forma racional, baseada no estudo e na pesquisa, elementos como o perispírito, a mediunidade, a vida no mundo espiritual e a individualidade da alma, o que era mistério passará a ser realidade, e todos os campos do conhecimento científico conhecerão uma revolução sem precedentes, a revolução da ciência do espírito

 

(Artigo publicado na “Revista Internacional de Espiritismo”, mês de março de 2013)

 

 

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