Art&MusicaLSlides® "O Marketing e a Alquimia"

O Marketing e a Alquimia

 

*Lourenço Nisticò Sanches

No final dos anos 60 e início dos 70 o Marketing ainda era embrionário no Brasil, encontrando-se em plena gestação. Havia muita dificuldade em oferecer uma única definição consistente e concisa, mesmo academicamente, tendo em vista o então precário conhecimento de sua vasta abrangência.

As empresas multinacionais produtoras de bens de consumo impulsionaram seu desenvolvimento ao nos trazerem a cultura da mercadologia, já em pleno uso em suas matrizes – especialmente nos Estados Unidos.

Desta forma o Marketing adentrou fazendo parte de nosso dia-a-dia de tal sorte que muita vez nem nos apercebemos de sua atuação, ou damos conta da enorme influência exercida sobre cada um de nós.

Sinteticamente podemos definir o Marketing como sendo o conjunto de ações que visam favorecer e estimular o processo de troca.

Tão simples, ou complexo, quanto isso!

O Marketing visa, sobretudo, a satisfação do consumidor e sua conseqüente fidelização.

Vendas, Pesquisa de Mercado, Preço, Embalagem e Publicidade, assim como a Comunicação – em todo seu admirável espectro, são apenas alguns dos recursos que fazem parte do imenso leque de instrumentos de que dispõe o Marketing.

Na área de serviços – os mais diversos, o Marketing também é intensamente aplicado e igualmente responde pelos resultados a serem obtidos.

Quanto ao componente "criatividade", presente no desenvolvimento e utilização do ferramental mercadológico de comunicação, deve obedecer a severas normas éticas; existem órgãos oficiais e instituições que regulam e fiscalizam as campanhas, todos voltados para proteger o consumidor. Assim como ocorre nas demais profissões.

Também em "campos ditos mais etéreos e intangíveis", como os que se verificam em algumas "modernosas" correntes filosófico-religiosas e político-partidárias o Marketing tem encontrado terreno fértil para sua aplicação.

E é exatamente aí que "mora o perigo!"

Quando os personalíssimos objetivos que se pretende alcançar por um indivíduo – ou grupo de indivíduos, independe dos meios utilizados – defendendo a espúria tese de que "o fim justifica os meios", verificamos que o decantado bem (produto, serviço ou filosofia, quer religiosa ou política) que nos foi "vendido" estava alicerçado na mentira, falta de ética, ausência de compromissos morais e em argumentos falaciosos. Em suma, nos induziram a "comprar gato por lebre".

A estes verdadeiros embustes forjados por meio de promessas falsas, inconseqüentes, em absoluta mistificação de uma realidade apenas virtual que é transmitida ao público alvo - povo, frustrando sonhos e esperanças questiona-se:

Terá sido esse um trabalho desenvolvido por Profissionais de Marketing sérios ou pelos novos Alquimistas da atualidade, descompromissados com o conteúdo de suas arengas e mensagens publicitárias, flagrante arremedo daqueles pretensos "sabichões" da antiguidade?

A Alquimia é uma prática antiga e visionária que combina elementos do conhecimento humano focando em sua prática alguns objetivos, dentre os quais a transmutação dos metais inferiores, como o chumbo, em ouro.

Tristemente verificamos que povo brasileiro, sempre esperançoso e crédulo, nos últimos anos tem "comprado" muito chumbo, criminosamente pintado de dourado... Nada como a ação do tempo para fazer descascar o engodo!

Ou, conforme lapidar pronunciamento de Abraham Lincoln:

"Pode-se enganar a poucas pessoas por muito tempo, pode-se enganar a muitas pessoas por algum tempo, mas não se pode enganar a todas as pessoas por todo tempo."

É isso o que o povo em manifesto está bradando nas ruas!

* Lourenço Nisticò Sanches – Profissional de marketing, pesquisador, cronista e articulista

10 de julho de 2013

 

 

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